*Por Maria Luiza de Omena
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As Redes Sociais são um fenômeno que mudou a forma como se enxerga e se interage com o mundo, elas proporcionaram um canal aberto para relacionamento das marcas com seu cliente e mudaram a forma de consumo, e isso vale também para a indústria pop, que rompeu com a mídia tradicional e constantemente lança novas personalidades que surgem de espaços que talvez não chegassem à TV, como o funk ostentação, nascido e criado da periferia de São Paulo.

A lógica é simples quanto ao roteiro que leva alguém à fama ou na adesão de ideias, sempre protegidos com uma legião de produtores e uma hiperexposição televisiva, e isso se aplica também às manobras políticas e econômicas. O que querem é aparecer e vender, talvez com as novas formas midiáticas que não precisam de uma manipulação maior, alguns conquistam esse patamar a la Eike Batista.

A espontaneidade do sucesso do cantor Wesley Safadão surgiu pela capacidade da Internet de agir de forma livre. Tudo começou com uma brincadeira durante a Copa de 2014, ao usarem a imagem pitoresca do cantor em páginas como O Legado Copa, Vai Ter Copa e As Crônicas de Wesley Safadão.  Com a fama dos memes produzidos por essas páginas, o sucesso do cantor de forró cresceu e dominou a Internet, chegando a transformá-lo em personalidade e ser reconhecido pela Folha de São Paulo, como o “rei da internet”. Desse expoente, muitas outras páginas aderiram às piadas que foram transformadas por Wesley como propaganda positiva, aliada ainda às velhas práticas de marketing muito recorrentes no interior do Brasil, como a distribuição gratuita de gravações em CD, e passeatas em carros abertos.

Ele não precisou usar a TV para alcançar seu sucesso, pois através da Internet, conquistou quase 200 milhões de visualizações no YouTube, e logo, grandiosos números de show equivalentes a cantores consagrados como a Ivete Sangalo, com cachê de 500 mil reais por show, multiplicados por 25 apresentações no mês.

Da biologia à rede – apropriação cultural

A adesão do público a esse tipo de personagem é dada pela empatia que ele causa, afinal, toda a comunicação eficiente é dada pela compreensão e identificação do público. E os memes são ideias repassadas que estão presentes na estrutura humana e na internet, desde que a internet é a internet. O conceito, proveniente da Biologia e cunhado pelo etólogo Richard Dawkins, contextualiza, que as ideias propagadas que conseguem influenciar o comportamento de seu entorno em consequências virais. É por meio da imitação que os memes se propagam facilmente pela rede. Deste contexto, a escolha da propagação feita pelo público é destinada pela sua própria cultura, ou seja, o velho dito que a voz do povo é a voz de Deus, tem valor no campo digital.

O público utiliza desse tipo de marketing como um pseudo-humor engajado que se apropria da linguagem utilizada nas ruas e de situações prosaicas, num exemplo típico de comportamento digital do usuário. A utilização desse tipo de conteúdo por marcas deve ser cautelosa, pois é uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo que pode causar sucesso, pode trazer fracasso se não estiver de acordo com o posicionamento da marca junto ao seu público-alvo. Por isso, entender o perfil da marca e o tipo de público é o início para introduzir essas ideias, que são espontâneas e livres, principalmente num campo fluido como o digital.